A OUVIDORIA E A NOVA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Depois do resultado das eleições recentes que trouxe novas expectativas e propostas ao país com a eleição de um presidente, de governadores e a renovação das Assembleias Legislativas e do Congresso Nacional, sobreveio o cenário de como será a nova orientação que o governo do presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro dará ao Brasil, depois de 30 anos sob a égide da Democracia Social, com “ares” liberais no governo FHC e nos últimos 13 anos, mais socialista, à esquerda.

Há de se considerar precipitada qualquer interpretação de pronunciamentos que os representantes vencedores, incluindo o presidente, propagam através de declarações à imprensa, por vezes, em cenário não apropriado ou não relacionado diretamente com uma área de relevância. Há de se ter o devido cuidado em considerar isso ou aquilo, até porque no aniversário dos 30 anos da Constituição Federal em cerimônia realizada no Congresso Nacional, no dia 6 de novembro passado, o presidente Jair Bolsonaro declarou que “terá a Constituição Brasileira como um Norte.”

Mas, para compreender o momento político que vivemos, devemos retroceder ao resultado surpreendente da eleição do 1º turno. As mudanças mais significativas ocorreram na abertura das urnas e nelas ficou patente uma mensagem explícita do eleitorado brasileiro: retirou, ou talvez o termo mais correto seria “expurgou” da vida pública quase a maioria de políticos com ficha suja ou envolvidos em denúncias; não seguiu mais a ideologia e o discurso dos partidos dominantes, renovou os quadros e aposentou inúmeros políticos ou seus descendentes. O notável exercício da democracia pelo voto popular propiciou o surgimento de novos partidos e lideranças. Além de sinalizar um claro aviso de ponderação, correção e ética no uso isento e propositivo da administração federal e estadual pelos agentes políticos.

Para nós, Ouvidores, além da expectativa do que virá da nova Administração, também nos presta entender o significado desta eleição. Novos ares, novas ideias, uma busca pelo elo básico da sociedade, a família, o resgate do princípio nacional que vincula ao exercício da cidadania, a desconfiança que gerou os últimos anos a trágica sequência de escândalos de corrupção envolvendo políticos do mais alto escalão e mega empresários ligados ao governo federal e algumas esferas estaduais..

A leitura das urnas demonstra claramente que a opinião pública está muito bem informada, compreendeu o impacto de ações deletérias que a administração petista e aliados provocou sobre a renda, o trabalho, a saúde, a infraestrutura; a

sociedade está mais senhora de si mesma e se comunica de forma diferente, utilizando a tecnologia que está ao seu alcance; estabelecendo um novo formato de comunicação pelas redes sociais e que nos interessa compreender pois lidamos com diversos públicos no exercício da Ouvidoria.

Portanto, alvíssaras: dispomos de cidadãos mais conscientes e isso é bom para todos nós brasileiros, centrado na citação grega de Epicuro, aqui adaptada ” Melhor Sabe Votar Quem Melhor Sabe Ouvir “.